domingo, 13 de maio de 2018

KABBALAH & TERREIRO DE UMBANDA

Texto do Médium Jiovane Ferreira de seu blog: https://oveudeparoketh.wordpress.com/…/kabbalah-e-o-terrei…/

Saudações a todos.

Durante minhas palestras e aulas de Kabbalah eu sempre gosto de utilizar de exemplo o Terreiro de Umbanda para exemplificar alguns trajetos na subida da árvore. Sei por experiência própria que Kabbalah Hermética não é um assunto de fácil assimilação para a grande maioria e que um exemplo aplicado na pratica ajuda muito, especialmente por que o grande segredo é saber aplicar o conceito ao seu dia a dia.

Então vamos lá, começando da esfera mais densa ao mais sutil e elevado.

Malkuth: O Reino, a esfera da Terra, representa todo o Plano Material, sendo tanto a porta de entrada quanto a porta de saída para os mistérios superiores. Aqui é o lar das pessoas adormecidas, sem imaginação, o Mundo dos Trouxas de Harry Potter, das pessoas que não acreditam em magia, não possuem contato algum com sua própria essência ou espiritualidade. Completamente adormecidos e dominados pelas egrégoras do status quo. Aqui as pessoas acordam, trabalham, são infelizes, trabalham, gastam seu dinheiro, são infelizes, dormem, acordam, infelizes, trabalham…. em um ciclo sem fim e sem sentido algum em suas existências, sem tempo algum para o trabalho mais importante de todos, o trabalho interno. Em um Terreiro nada mais justo do que representar a esfera de Malkuth com o lado de FORA do Templo. São todas as pessoas que passam diariamente nas portas do Templo e nem pensam em entrar, não se dão ao trabalho nem por curiosidade de entender o que esses tais médiuns incorporados estão fazendo. E eu digo, aposto que tem pessoas que nem SABEM que existe um Templo naquele lugar, mesmo passando diariamente na frente…

Yesod: A esfera da Fundação, ela representa a fiação por detrás do interruptor de luz, é o próprio Mundo Astral por um lado, mas por outro lado também é o primeiro grau de consciência de quem busca o Caminho da Iluminação. Aqui o Iniciado ganha consciência de que existe uma Luz mas ainda não consegue olhar para ela diretamente, é o primeiro passo do Iniciado que ganha conhecimento da Magia. Dando os primeiros passos para dentro do Templo, iniciando o trabalho de si mesmo, em direção a esfera Solar. Dentro de um terreiro esta esfera representa todo o lado Astral e quem frequenta sabe que maior parte dos trabalhos de uma gira acontece no plano lunar de Yesod. Mas representa também todos aqueles que romperam o primeiro Véu e sentiram-se instigados a participar mais ativamente, seja assistindo com frequência as giras, seja participando das aulas e doutrinas oferecidos, seja mesmo com o desejo de fazer parte da Corrente Mediúnica. O que importa é que o candidato a Iniciado vai a partir da esfera de Yesod, trabalhar seus símbolos e suas emoções cada vez mais, e neste caminho ou ele vai avançar ou ficará para trás retornando à esfera de Malkuth.

Hod: A esfera do Intelecto da Comunicação, da Razão, dos Símbolos e da Lógica, base do Pilar do Rigor. Ela representa todos os símbolos e todos os meios por qual nós expressamos as emanações que vêm de Netzach. É a escrita do texto, é a letra da música, é o código do programa, são as fórmulas matemáticas. E em essência todos os símbolos por qual expressamos idéias. Quanto maior seu conhecimento em Hod, melhor é capaz de formular e construir seu Universo. Em um Terreiro, representa todo o código de conduta, todos os rituais, as doutrinas, os livros, os ensinamentos, é nesta esfera que o Iniciado aprende todos os símbolos necessários para o que escolheu fazer. São todos os Cruzamentos e Apresentações, sem os quais, não será capaz de expressar corretamente as idéias espirituais, pois é Hod o mensageiro.

Netzach: Ao lado de Hod, no mesmo eixo horizontal encontra-se a esfera de Vênus, a esfera do Amor e das Emoções, na base do Pilar da Misericórdia. Se Hod representava todo o código e símbolos, Netzach vai representar todo o sentimento que o símbolo carrega, é a melodia da música, é o sentimento ao ler um poema e ao ouvir uma opera, é o sentimento de ouvir uma música em uma língua estrangeira e ser capaz de sentir-se tocado pela melodia, pois as emoções se comunicam em um outro nível de vibração. Sem Netzach, todos os símbolos seriam vazios, descarregados de valor e sentimento e portanto de real significado. Em um Terreiro, são os pontos cantados, as rezas, é todo o sentimento envolvente, é compreender em seu intimo os valores da religião, é sentir vibrar em seu íntimo realmente o que tudo aquilo quer dizer e modificar em si mesmo, é o contato com o Divino através das Emoções. Estar em uma religião seja qual for, sem Netzach é estar apenas interpretando um papel em uma peça de teatro no qual não se quer fazer parte.

Tiferet: A esfera central da Árvore da Vida, a esfera brilhante dourada do Sol, da Magnanimidade e da Essência Divina. Aqui o Iniciado tem contato com o Sagrado Anjo Guardião, com sua Centelha Divina, com seu Eu Interior. Até então ele realizou o trabalho de equilíbrio interno, compreendendo com a emoção e a razão o sentido das coisas, e, o seu próprio sentido. Passando pela Noite Escura da Alma em Yesod e renascendo como o Escolhido na Esfera Solar de Tiferet e está pronto para começar a realização da sua Grande Obra. É a esfera de encontro do Pai com o filho, onde a consciência encontra-se com o seu lado Divino. Atingindo a Beleza da Harmonia de todas as coisas existentes. Essa esfera vai representar o próprio Sacerdote, o pilar central do Templo e o eixo que liga a espiritualidade ao mundo físico, o Sacerdote, que não por acaso nos Terreiros de Umbanda muitas vezes pode utilizar-se de estolas ou lenços dourados (cor de Tiferet) para representar o seu grau. Pois até então ele estudou e sentiu o Caminho, equilibrou a si próprio, passou pelos rituais e recebeu os símbolos, até enfrentar a si mesmo na Noite ou no Interior mais profundo da Terra antes de renascer pela segunda vez.

Geburah: A esfera vermelho sangue do Rigor, dinâmica e poderosa, ela é o próprio motor da criação, a força motriz que impulsiona todas as coisas. Ela é a esfera da Lei, que corta tudo aquilo que não serve mais a essência do Iniciado, purificando e destruindo todo o Mal. Por um lado ela representa também a própria força de Vontade do Iniciado e a responsabilidade pelo poder adquirido, também é a Lei, a Ordem e o Ritmo da criação, que mantém tudo em seu lugar, e o que não está em seu lugar é tirado fora. Dentro de um Terreiro vemos a manifestação de Geburah de diversas maneiras, talvez a mais fácil de perceber seja través da Curimba e do Ogã que mantém o ritmo da gira e o padrão vibratório da linha, também presente no ritmo das passadas e das palmas da corrente mediúnica. De um modo mais sutil Geburah é a Espada da Lei que mantém ou não uma pessoa conectada na egregora, não é difícil notar que quando uma pessoa não está alinhada ela inevitavelmente acaba se afastando do terreiro. É o próprio Rigor agindo. Uma energia muito facilmente percebida em qualquer Ogum.

Chesed: No mesmo eixo horizontal que a esfera do Rigor encontra-se, localiza-se a esfera da Misericórdia, se por um lado o Rigor representa tudo o que deve ser cortado, restringido e ordenado, a esfera de Júpiter representa tudo aquilo que é abundante e toda a visão do Reino com suas possibilidades, é o próprio Santo Graal que emana bênçãos a quem o busca. Dentro da dinâmica de um Terreiro eles representam as próprias linhas de trabalho em si. A manifestação dos guias na matéria, os trabalhos realizados e as bênçãos geradas e alcançadas. É a multiplicidade da manifestação da espiritualidade dentro dos Arquétipos das Linhas de Trabalho, dentro daquele Templo, daquela unidade.

Daath: A esfera do Conhecimento, é a esfera invisível da Árvore da Vida, sendo cruzada ao meio pelo Véu do Abismo separando o mundo da dualidade do mundo Uno do Espiritual Superior. Ela é ao mesmo tempo o Conhecimento Ancestral de todas as coisas que negamos, ao mesmo tempo que é tradicionalmente representada pelo grande desafio que deve ser superado pelo Iniciado. É o próprio portal para o Abismo, os Infernos e para os Demônios, guardado pelo(s) Guardião(ões). Em um Terreiro, é possível perceber a influência desta esfera através da existência da própria Tronqueira, onde ficam assentadas e firmadas todas as forças de esquerda de um terreiro. O local em resumo serve para absorver todas as cargas negativas e demandas e funciona como uma espécie de para raio astral, possuindo também seus guardiões que lidam e trabalham com estas energias, impedindo que elas influenciem todos os trabalhos que estão sendo realizados, reconduzindo-as aos seus locais de merecimento.

Binah: A esfera no topo do pilar da Severidade, a Grande Mãe, o Grande Útero gestor. Seu nome em hebraico é Entendimento. Ela gera dentro de si toda a ideia de realidade, tudo o que concebemos está dentro de Binah, ela é a Casa de Deus, é onde as múltiplas idéias de todas as cores que emana constantemente de Hochma é capturada e gestada para dar origem a uma nova realidade. Nas lendas e nos mitos ela é a Primeira Mulher, mas representa em si o próprio principio feminino e receptor. Em um Terreiro, essa esfera é concebida como o Próprio Espaço Sagrado ou Mágico, onde dentro irá se manifestar todas as cores da espiritualidade. Pode ser vista como a própria Corrente Mediúnica, onde do lado de dentro, haverá a manifestação dos guias e das entidades. Ou dentro de um fractal maior, o próprio Templo. Ou ainda todo o código de Leis da Umbanda.

Hochma: A esfera no topo do Pilar da Suavidade, o Grande Pai Celestial. Seu nome significa Sabedoria, ela representa o Caos das infinitas possibilidades dentro de todos os infinitos universos que emanam do Principio Criador, Hochma é a primeira esfera que se manifesta após o TODO. Dentro de um Terreiro ela é a própria Espiritualidade, a própria presença Divina manifestada dentro das infinitas possibilidades, antes mesmo da manifestação dentro dos arquétipos. Se não existisse Hochma nunca existiria a manifestação de guias novos ou mesmo de linhas novas, é Hochma que trás o elemento novo e original para dentro da Umbanda. Hochma existe independente do Terreiro (Binah) e é comum a toda Umbanda, ela representa todos os guias de todas as linhas de trabalho de todas as vertentes de todos os Orixás existentes capazes de se manifestar ou não.

Kether: A Coroa, “acima do corpo, mas não faz parte do corpo”, ela é o próprio Princípio Criador de onde toda a Criação emana. O Grande Branco e suas emanações ganharam diversos nomes dentro das mais variadas tradições e religiões. Allah, Grande Arquiteto do Universo, Deus, Olorum, Deus Pai Criador, TAO, seu nomes são tão variados quanto os povos da Terra, mas representa aquele princípio inefável e puro. Dentro da Umbanda é o próprio Olorum, Deus Pai Criador, de onde todos os Orixás e Divindades são manifestações vivas e divinas. Pode também ser vista como Aruanda. E no microcosmo do Terreiro, é o próprio Altar principal, o Congá, de onde irradiam todas as energias para o Templo.

Espero que isso tenha esclarecido um pouco como a Kabbalah e as Sefirot funcionam de um modo mais pratico, e da próxima vez que forem em um terreiro, tenham uma outra visão do conjunto.

Até a próxima.

domingo, 6 de maio de 2018

PRESENTES PARA IEMANJÁ


Com o poder que Iemanjá tem, se você me dá uns presentes “merda” desses, eu te afogo em poça, destruo a sua vida!!!


Fui com minha mulher na “macumba” e a “macumbeira” pediu para eu colocar umas oferendas para Iemanjá. No dia 31 de Dezembro,


fui com minha mulher numa loja de Umbanda, comprar os


preparativos, comprei um barquinho azul, um perfume lilás com uma tampa de rolha, um pente de plástico, flores


de plástico. Estou vendo minha mulher pegando isso e falei:



- AMOR que é isso que você está pegando?


- São os presentes de Iemanjá!


- AMOR, na boa, tu me dá uns presente merda destes, e eu tenho o poder que Iemanjá tem, eu ferro sua vida, eu te destruo, você vai morrer afogada em poça, acho uma sacanagem fazer isso com Iemanjá.


Fui pra Praia com o barquinho em baixo do braço e alguém disse “o cara da Globo é macumbeiro”, eu disse “é sushi!”


Pulei Sete ondinhas, coloquei o barco no mar, o barco andou meio metro e virou, minha mulher gritando “Ela aceitou!”.


Aceitou nada, falei que ela não ia gostar dessas bugigangas, peguei o barquinho tirei as bugigangas, coloquei uma nota de R$50,00 e um bilhete: “A SENHORA COMPRA O QUE QUISER”.


Com este texto o humorista Leandro Hassun fez, por muito tempo, um stand-up que comentava algumas coisas da “macumba” citando “Umbanda”, terreiro, incorporação, festa de Cosme e Damião e etc.


Antes de criticá-lo por fazer humor com nossos valores vamos refletir o que aprender com isso?


IEMANJÁ PRECISA DE BARQUINHO?


IEMANJÁ PRECISA DE ESPELHINHO?


IEMANJÁ PRECISA DE VIDRO DE PERFUME?NÃO !!!




Tudo isso pode parecer muito bonito a quem entrega, mas é lixo, suja, polui e demonstra ENORME IGNORÃNCIA ECOLOGICA de quem defende a ideia do Culto as forças da natureza. Você está Sujando a casa de Iemanjá, isso sim.


Quer levar uma oferenda para Iemanjá?


Leve rosas brancas, sem espinho, e entregue apenas as pétalas no mar, leve um champanhe abra sem perder a rolha e despeje um pouco da bebida e guarde a garrafa, pule Sete Ondas em sua homenagem pedindo para ela abrir seu caminho nos sete sentidos da vida. Por fim entregue seu amor, sua fé e ofereça “a manifestação do espírito para a prática da caridade” ao próximo em homenagem a Ela.


Simples assim!!!

domingo, 29 de abril de 2018

Rainha das Ondas, Sereia do Mar...

Exibindo um longo cabelo preto, pairando sobre as águas salgadas e
trajando o mais belo azul celeste. Mãe Iemanjá abre os
braços e deixando cair de suas mãos espalha pequenas pérolas que trouxe consigo do fundo do mar.
Assim é a concepção que a Umbanda tem da Rainha do mar, lembrando que essa é única imagem genuinamente umbandista onde devemos à ela boa parte da popularização da orixá.
Isso é tão evidente que encontramos pessoas que sabem que essa imagem se refere a uma orixá a qual chamamos de Iemanjá, no entanto não fazem a mínima ideia do que é Umbanda.
Os braços de Mãe Iemanjá é tão compassivo e agregador que aconchega todos os seus filhos e os que nem imaginam o que ela significa, mas mesmo assim sentem esse axe ao se deparam com a sua representação.
Sendo assim, tem quem deposite sua fé, voltando-se para imagem da orixá sem saber da sua história ou origem mas, que sente seu amparo e a ternura que só uma mãe pode emanar.
Origem
Várias são as versões sobre o surgimento do quadro de Iemanjá que originou as imagens que vemos hoje nos templos de Umbanda. A primeira delas, descrita no livro História da Umbanda no Brasil, Vol III, de Diamantino Fernandes Trindade, é a versão do escritor José Beniste onde diz que ela foi criada na déc de 50 quando o marido da Dra. Dala Paes Leme como forma de homenagea-la mandou pintar um quadro com suas feições.
Na pintura que possui uma semelhança inegável com as imagens populares da orixá, a mulher pintada possui traços de cabocla, estatura média a alta e é morena.
A esse quadro foi atribuído o início das festividades de Iemanjá no fim do ano nas praias do Rio de Janeiro.
Diamantino destaca no livro também uma outra versão, na qual a senhora Dalas teria tido uma visão dessa figura e pediu para que um artista (desconhecido) à pintasse.
Ela mesmo era parte integrante da “Comissão de Divulgação da Imagem“. Sim, existia uma comissão que tinha como objetivo divulgar a pintura e que organizava procissões com o quadro por entre os terreiros da época e que a mesma senhora Dalas que presidia.
A partir dessas iniciativas e em razão do esforço de diversas entidades em divulgar a imagem de Iemanjá que várias outras representações semelhantes foram reproduzidas dentro dos terreiros e em diversas manifestações populares até se chegar a amplitude e a forma que vemos hoje.
No livro de Diamantino também encontra-se um trecho da matéria o Jornal de Umbanda, n. 78, de abril de 1958 que registrou a presença do quadro nos terreiros de Niterói:
“No dia 21 de fevereiro a Tenda Tujupiara fez levar em bela procissão à noite, sob as luzes de milhares de velas, com enorme acompanhamento o referido quadro (de Iemanjá) para o Centro São Sebastião, sito à Travessa Filgueiras, no bairro do Fonseca e que obedece à direção material do irmão Custódio seu presidente e que tem como Babá a irmã Maria de Oliveira. Ofereceram os componentes deste conceituado terreiro uma magnífica manifestação à chegada do quadro e a todos que acompanhavam a procissão.”
A pesquisa levantada e tratada no livro leva em consideração periódicos da época e fatos ocorridos nessa fase da religião. Para quem deseja se aprofundar e saber mais sobre essa história bem como a popularização da festa de Iemanjá indicamos o acesso ao livro supracitado e ao curso Teologia de Umbanda que dedica um módulo a história da religião e suas vertentes.
Retirado de Jornal de Umbanda.

domingo, 22 de abril de 2018

SENHORA DAS MIL FACES DA UMBANDA!


Retirado de Jornal de Umbanda.
Escrever sobre a Umbanda não é tarefa para leigos, repórteres ou curiosos. Estes, por falta de percepção, sensibilidade ou de conhecimento enxergam a Umbanda como um emaranhado confuso de práticas oriundas das mais diversas religiões.
Jamais pararam para se perguntar por que um culto, por eles mesmos tratado como fetichista, pode atrair milhões de pessoas. Diriam até que seria pelo aspecto etnocultural das mais diversas classes socioculturais.
Que mistério há por trás desses ritos que consideram confusos e destituídos de bom senso? Por que tantos a atacam?
É preciso conhecer seus aspectos fenomênicos, magísticos, mediúnicos, ritualísticos, doutrinários e filosóficos, nas suas causas.
É preciso também que se tenha um vivencial do dia a dia de seus Terreiros e Templos. Raros, raríssimos são os que têm essa experiência.
Enquanto a Umbanda se abre em um leque de mil cores, muitos se interessam apenas pela qual se afinizam, certos de que é a melhor.
Outros pretendem impor um determinado ritual porque é aquele que lhes trás mais benefícios, principalmente financeiros. Quem quiser, apenas de longe, saber o que a Senhora das Mil Faces representa para o povo brasileiro, basta ver o que acontece nas praias na passagem do ano.
Lá se encontram ricos, pobres, brancos, negros, amarelos, vermelhos, mestiços, todos juntos, acendendo suas velas e ofertando flores a Iemanjá, pedindo que o ano lhes seja propício. Esta manifestação colossal é peculiar, é própria da fé ou da mística umbandista.
Muitos se aproximam da Umbanda, pois pressentem sua força, sua magia, seu poder de transformação.
A Umbanda aceita e respeita as necessidades de cada grupo naquilo que os faz sentirem-se unidos ao Sagrado.
Por isso Ela parece tão variada em suas manifestações, pois cada unidade-terreiro exprime com fidelidade as necessidades daqueles que ali acorrem. Para muitos, esta maleabilidade é confundida como uma mistura desconexa, mas na verdade apenas traduz, em seus aspectos mais profundos, um motivo: atingir a síntese do conhecimento humano, lembrar a todos que como Caboclo, Preto
Velho e Criança.
Também somos espíritos eternos e imortais e que cada existência nos serve de aprendizado e aperfeiçoamento para vidas futuras, caminhando rumo à nossa realidade espiritual. Esta é a Umbanda de Todos Nós. Por isso repito: escrever sobre a Umbanda não é tarefa para leigos, repórteres ou curiosos. O que nós umbandistas oferecemos para que os leigos e os nossos detratores nos ataquem diretamente ou à socapa?
Dentre outras coisas, oferecemos nossa vaidade explícita de diversas maneiras: com roupas extravagantes, com dezenas de guias no pescoço, por exemplo. Muitos cantam aos quatro ventos que seguem os ensinamentos de Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Para estes ficam as perguntas:
– Por que usar roupas extravagantes se eles diziam que a roupa devia ser branca?
– Por que tantas guias se eles diziam que uma única guia era suficiente?
Então, o que vemos é um discurso diferente da prática para alimentar a vaidade, câncer que corrói a maior parte da
humanidade.
A ânsia pelo poder temporal dentro dos Terreiros e organizações umbandistas mostra que a maioria ainda não conseguiu aplacar dentro do peito o egoísmo.
As futricas e a maldade são alguns dos pratos do dia nos Terreiros, onde deveríamos estar apenas para praticar a caridade e evoluir espiritualmente.
Oferecemos farta munição para os nossos detratores e depois nos queixamos dos ataques. Não seria hora de rever nossos conceitos e ações para que a Senhora das Mil Faces possa continuar a nos prodigalizar com seu manto de amor caridade?

domingo, 15 de abril de 2018

ENCONTRO COM IEMANJÁ!


Retirado de Jornal de Umbanda.
Viver a vida sem máscaras, ser simplesmente você mesmo, ter coragem de se entregar ao universo, e a consciência de ser o todo diante da imensidão da existência. Foi nessa sensação de entrega total, que vi diante de mim a mãe da vida Iemanjá. Vi sim, com os olhos da alma. Momento este, que perdi totalmente o sentido físico da vida.
Só minha alma existia na força do amor daquela mãe. A maior e mais poderosa de todas as mães. Sua presença ativou em mim, o que mais a vida tem me cobrado, força para encarar minhas sombras e assumir minha verdade.
Vim buscar na Umbanda um caminho que me levasse à verdade, pois, minha fé dizia que ela me libertaria de qualquer mal. Encontrei
muito mais que isso.
Encontrei o amor verdadeiro e libertador.
No sábado, 10/12/16, me preparei para ir a
uma festa, festa de Iemanjá.
Só não imaginei que fosse ter um encontro pessoal e único com a “anfitriã”. Foi fantástico. E como disse Pai Alexandre Cumino: “Ela veio até nós, na praia”. Não precisamos ir até o mar. A maré subiu e “Ela veio até nós”. Durante a festa, a emoção irradiava para todos como as ondas do mar.
E assim, descrevo a minha vivência como umbandista apaixonada que aprendi a ser.
Mãe Iemanjá expandiu um pouco mais minha consciência para que eu pudesse entender a transformação planetária que estamos
vivendo.
É preciso abrir o coração para encontrar a Paz e a Verdade no meio do caos, pois nós mesmos criamos o caos em nosso interior e exterior. Agora, resta-nos através do amor e paciência, colocar a casa em ordem. Reconhecendo e aceitando ajuda dos Guias, Mestres, Mentores e Orixás.
Gratidão aos irmãos e irmãs que ampararam meu corpo físico enquanto meu espírito vivenciava esse grande encontro e aprendizado.
Gratidão a todos os Orixás, gratidão à Umbanda que a cada dia proporciona um novo sentido a minha VIDA!
Salve a Umbanda!

domingo, 8 de abril de 2018

SENHOR EXU QUEBRA MAR:



Mais uma vez, muita gente, não? Mais uma vez, ser um
exemplo para outros que vivem isolados, como se a sua tenda
fosse sua propriedade e não da religião.
A tenda que pertence aos seus dirigentes, pertence à religião.
O dirigente que não entender isso é um infeliz. A tenda pertence à religião. A religião é maior que todas as tendas juntas, porque quanto mais tendas vierem, maior será a religião.
E vocês estão de parabéns, porque a Senhora do Mar, que tem todas as tendas diante dela hoje, essa foi a mais abençoada, podem ter certeza disso, pela vossa união, onde todos se mostram iguais e
ninguém é superior a ninguém. Tem que ser assim a religião, porque, se não, ela não prospera. Ela fica fechada em pequenas aldeiazinhas, onde o egoísmo impera e não a generosidade.
Religião nenhuma cresce onde há o egoísmo, tem que haver a generosidade entre seus praticantes. Porque ali prospera, sendo generosos nas suas tendas.
Ajude o próximo sem esperar nada em troca, porque quem vai compensá-los não é da terra. A recompensa da terra é passageira e você não pode levá-la para o outro lado. Mas a recompensa da Senhora do Mar, essa você leva, porque ela está no teu espírito.
É a benção dela, para que você se sinta abençoado. Lembre-se disso, não seja egoísta na sua tenda. Seja rigoroso, mas não egoísta.
Seja duro com os médiuns relapsos, mas não egoísta.
Não queira pra você o que não lhe pertence, mas não negue ao Pai o que pertence a Ele, porque tudo é Dele. Tudo pertence a Ele, inclusive vocês, donos de tenda. Lembre-se disso, a tua tenda pertence à tua religião. Ela é tua religião. Ela não é teu castelo, onde você é o senhor. Mas ela é o Templo onde você é o servo do Senhor.
Aqueles que entenderem essas palavras serão dirigentes muito melhores. Aqueles que não entenderem continuarão a mesma coisa,
mesquinhos e egoístas. E o mesquinho e egoísta só atrai mesquinhos e egoístas. E o generoso só atrai os generosos. Lembrem-se disso!
Isso que vocês fazem aqui é único. Ninguém consegue fazer. Ninguém quer tirar o cocar de chefe, ninguém quer ser índio. Todo
mundo quer ser chefe, quer estar na frente mostrando sua vaidade,
esquecendo que o que está perto dele é o auxiliar direto dele e, se
crescer através dele também vai ser grande e irá torná-lo maior ainda.
É assim que meu médium cresce, deixando todo mundo crescer à
volta dele, não negando a ninguém a possibilidade de crescer e cumprir o que tem que cumprir nessa terra com as suas forças. É assim que tem que ser e é assim que sempre foi e é assim que sempre será.
O egoísta só vai atrair egoísta, o generoso vai atrair generoso. É a Lei da afinidade. Por isso todos vocês vêm aqui, porque meu médium é generoso.
Ele quer que todos cresçam, porque, se todos crescerem, aí sim, ele
cresce; porque, se não crescerem, ele não cresce também. Lembrese disso, faça crescer os que estão à sua volta. Faça crescer aqueles que dependem da sua ajuda para eles crescerem. Seja você o adubo que vai fazer eles crescerem à sua volta, porque a sombra dele vai refrescar você.
E aquele que não crescer nada à volta dele vai ficar exposto ao sol
escaldante. Quem está exposto ao sol escaldante morre ressequido
da alma. A alma perece, porque lhe falta a sombra dos que cresceram à sua volta. Muitos de vocês hoje já são grandes dentro da religião e conservam aquilo que o meu médium nunca deixou de
ter: - A humildade! Eu, mais uma vez, fico agradecido a vocês por virem até aqui no meu domínio, porque meu domínio é esse, é a terra. Eu não domino lá na água, eu domino aqui na terra, eu atuo através da terra, por isso eu sou Quebra-mar.
Só a terra quebra o mar. Sejam vocês quebra-mares, contenham as
águas revoltas, sendo terra firme para aqueles que se achegarem a
vocês encontrem um solo firme, mas fértil. Faça crescer a tua religião, faça do teu templo um templo da religião, e não seu.
Não diga “esse é o meu centro”, e sim, diga “esse é o centro da
minha religião”. E todo aquele que vier dentro dele está na minha
religião, sinta orgulho disso. Sinta orgulho disso!
Porque a Umbanda põe todas as pessoas em contato com o plano
espiritual, tanto o superior, quanto o inferior. Siga para o superior
quem é superior, siga para o inferior quem é inferior, mas não diga
que não entrou em contato com o poder do plano espiritual.
Portanto, volte-se para a Senhora do Mar, que Ela está de frente
para vocês, e elevem os vossos pensamentos, e façam diante Dela
os seus atos de fé e se consagrem à sua religião. Podem se virar
para ela, porque ela esta diante de vocês!
Eu sou Exu Quebra- Mar!
MENSAGEM DO SR. EXU QUEBRA-MAR,
INCORPORADO EM RUBENS SARACENI NA
FESTA DE IEMANJÁ 2013 – AUEESP